Morreu aos 35 anos Baek Se-hee, autora de "Quero Morrer, Mas Também Quero Comer Tteokbokki"
Morreu Baek Se-hee, a escritora sul-coreana conhecida pelo livro Quero Morrer, Mas Também Quero Comer Tteokbokki, aos 35 anos. A notícia caiu como um choque entre leitores em todo o mundo, não apenas pela juventude da autora, mas pela profunda empatia que o seu trabalho despertou em quem enfrentou — ou conviveu — com a depressão.

Baek ganhou reconhecimento internacional ao partilhar de forma corajosa e sincera uma parte íntima da sua vida: as sessões de terapia em que falava da sua distimia — um tipo de depressão persistente — e as reflexões que surgiam desses encontros com o psiquiatra. O livro, publicado originalmente em 2018, começou por ser uma edição modesta, mas rapidamente se tornou um fenómeno literário. Vendeu-se em mais de 25 países e ultrapassou um milhão de exemplares em todo o mundo. Em 2022 foi lançado em inglês, traduzido por Anton Hur, e em 2024 chegou também a tradução aos países de língua portuguesa.
Nascida em 1990, Baek estudou escrita criativa e trabalhou na área editorial antes de se dedicar por completo à literatura. Parte da origem do seu sucesso esteve num blogue pessoal, onde começou a publicar fragmentos das suas conversas de terapia. A sinceridade das suas palavras tocou profundamente os leitores, muitos dos quais se reconheceram nas suas inseguranças, na ansiedade e na forma como tentava compreender o próprio valor.
Em entrevistas, Baek contou que nunca esperou que os seus textos “iluminassem” a vida de alguém, mas foi isso que aconteceu: leitores de várias partes do mundo escreveram-lhe a dizer que as suas palavras os ajudaram a suportar dias difíceis. “Escrever pode ajudar-te a ver-te de ângulos diferentes”, disse certa vez, descrevendo o poder libertador da escrita quando usada como espelho da alma.
A causa da sua morte ainda não foi divulgada. A notícia foi acompanhada por inúmeras homenagens, recordando não apenas a autora talentosa, mas também a pessoa sensível e generosa que, mesmo no meio das suas próprias batalhas, procurava partilhar esperança com os outros. Segundo informações divulgadas por uma agência de doação de órgãos, Baek salvou cinco vidas — através da doação do coração, fígado, pulmões e ambos os rins.
A sua irmã descreveu-a como alguém gentil, incapaz de guardar ódio, e expressou o desejo de que agora encontre paz. Para muitos, Baek Se-hee tornou-se a voz da vulnerabilidade: alguém que aceitou as suas fragilidades e transformou a dor em algo partilhável, humano e profundamente verdadeiro. A sua escrita continua viva nas páginas que deixou — e nelas permanece o eco silencioso da coragem de ser autêntico num mundo que tantas vezes teme a fragilidade.