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Tempo de Conhecer

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Mia Goth: da infância nómada à "rainha do terror" de Hollywood

Mia Goth, cujo nome completo é Mia Gypsy Mello da Silva Goth, nasceu a 25 de outubro de 1993 em Southwark, um bairro de Londres, Inglaterra, fruto de uma família multicultural: a mãe é brasileira e foi empregada de restauração, e o pai é canadiano e trabalhou como camionista. A sua origem inclui uma ligação direta ao mundo das artes, pois é neta da conhecida atriz brasileira Maria Gladys, uma presença notável na televisão e telenovelas do Brasil — uma influência que Mia mais tarde descreveu como fundamental para a sua própria paixão pelo cinema e pelo teatro desde muito jovem.

Passou parte da infância no Brasil com a mãe e a avó, antes de regressar ao Reino Unido aos cinco anos; mais tarde viveu em Nova Escócia, no Canadá, com o pai, e voltou finalmente a Londres aos doze. Esta vida nómada e multicultural moldou a sua capacidade de adaptação e empatia, algo que mais tarde se refletiria na diversidade e intensidade das personagens que interpreta.

A trajetória de Goth começou no mundo da moda: aos catorze anos foi descoberta por uma fotógrafa num festival de música em Londres e assinou contrato com a Storm Model Management, trabalhando para marcas e publicações de prestígio como Vogue ou Miu Miu. No entanto, a sua ambição artística levou-a ao cinema. Aos dezasseis anos começou a fazer castings, e o seu primeiro papel de destaque foi no controverso drama Nymphomaniac: Volume II (2013), dirigido por Lars von Trier, onde interpretou uma adolescente envolvida na narrativa sexualmente explícita da protagonista. Esta estreia, ao lado de veteranos como Charlotte Gainsbourg e Shia LaBeouf, estabeleceu-a como uma intérprete capaz de mergulhar em papéis complexos e perturbadores.

Após este início marcante, Mia Goth mudou-se para Los Angeles para aprofundar a sua carreira cinematográfica. Participou em filmes como The Survivalist (2015), um thriller pós-apocalíptico em que se envolveu fisicamente com o ambiente de filmagem, e Everest (2015), um drama de aventura. Em 2016 integrou o elenco de A Cure for Wellness, um horror psicológico de Gore Verbinski, e em 2018 apareceu no remake de Suspiria, realizado por Luca Guadagnino, e no drama de ficção científica High Life, de Claire Denis.

O reconhecimento internacional consolidou-se no início dos anos 2020 com a sua participação na trilogia de terror da A24 dirigida por Ti West: X (2022), Pearl (2022) e MaXXXine (2024). Em X, Goth assume papéis duplos — a aspirante a atriz porno Maxine Minx e, com maquilhagem pesada, a idosa Pearl — um desafio que sublinhou a sua versatilidade e presença magnética na tela. O terceiro capítulo, MaXXXine, acompanha a sua personagem em Hollywood nos anos 1980 e foi um êxito de bilheteira que reforçou o seu estatuto de ícone moderno do género.

Entre outros projetos notáveis está Infinity Pool (2023), um filme de terror e ficção científica com realização de Brandon Cronenberg, onde contracena com Alexander Skarsgård, e mais recentemente a sua participação em Frankenstein (2025), uma adaptação de alto perfil assinada por Guillermo del Toro, em que Mia explora ainda mais o drama e o horror num filme esperado pela crítica e público.

A vida pessoal de Mia Goth atrai também interesse mediático. Conheceu o ator Shia LaBeouf durante as filmagens de Nymphomaniac, e o casal viveu uma relação pública, incluindo um casamento simbólico em Las Vegas em 2016 e uma reconciliação posterior que resultou no nascimento da filha Isabel em 2022. O papel da maternidade influenciou a sua perspetiva sobre a carreira e as escolhas artísticas, segundo entrevistas recentes, ao equilibrar a exigência dos papéis com a vida familiar.

Com uma carreira em constante ascensão, Mia Goth é vista como uma das atrizes mais fascinantes da sua geração: capaz de transitar entre o mainstream e o cinema de autor, abraçando papéis desafiantes que exploram a complexidade humana. O seu percurso, desde a infância multicultural à consagração em Hollywood, reflete uma artista singular, cuja voz e intensidade continuam a moldar o cinema contemporâneo.

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