A múmia que causou acidentes no Museu Britânico
No início do século XX, entre as muitas peças intrigantes que preenchiam os corredores do Museu Britânico, uma em particular começou a atrair atenções não apenas pela sua antiguidade, mas pelo rasto de infortúnios que parecia deixar por onde passava. Era o caixão mortuário de uma sacerdotisa do antigo Egito, uma múmia que, segundo diziam, trazia consigo uma maldição. Oficialmente identificada como "A múmia da mão maldita", esta peça funerária rapidamente se tornou protagonista de histórias sussurradas entre funcionários, curadores e até visitantes.

Segundo relatos da época, assim que a múmia chegou a Londres, uma série de acontecimentos bizarros começaram a ocorrer. O fotógrafo encarregado de registar a peça morreu subitamente dias após o trabalho. Um jornalista que escrevera um artigo irónico sobre o caixão acabou por sofrer um acidente quase fatal. Guardas noturnos do museu recusavam-se a passar pela sala onde o artefacto estava exposto, alegando ouvir gemidos baixos ou sentir um frio repentino e inexplicável ao aproximar-se da urna.
As histórias multiplicaram-se ao ponto de causar desconforto entre os funcionários do museu. Vitrines que se partiam sem motivo, quedas inexplicáveis, cartas de aviso de pessoas que afirmavam sentir más energias ao visitar a peça – tudo isto alimentava a fama da múmia como fonte de azar. Diz-se mesmo que, durante um período, o caixão foi guardado na cave do museu para evitar mais perturbações, e que houve quem sugerisse devolvê-lo ao Egito.
O mito cresceu ainda mais quando a múmia foi ligada, mesmo que sem base factual, ao desastre do Titanic. Uma lenda urbana dizia que ela estaria entre os tesouros a bordo, numa tentativa de devolução que nunca chegou ao destino. Apesar de tal afirmação ter sido repetidamente desmentida, o boato persistiu, alimentando a aura negra que envolvia a múmia.
Na realidade, o objecto em questão nunca foi uma múmia completa, mas sim apenas a tampa do sarcófago de uma mulher de alta posição religiosa. Ainda assim, a associação com a maldição permaneceu tão forte que, eventualmente, a peça foi retirada da exibição principal. Hoje em dia, encontra-se longe do olhar público, nos bastidores do museu, mas o seu nome ainda circula entre aqueles que se interessam pelo lado mais misterioso da arqueologia.
Mais do que um artefacto antigo, esta múmia tornou-se um ícone cultural do fascínio ocidental pelas maldições egípcias. Num tempo em que o oculto se misturava com a ciência, e a exploração de tumbas sagradas gerava tanto maravilhamento como medo, a múmia do Museu Britânico continua a ser lembrada como um dos grandes enigmas não resolvidos da história moderna.